Regulatório Anatel • Autenticação de chamadas

MP 1.396/2026: autenticar na origem não basta

A verificação na terminação passa ao centro da operação. Entenda os impactos técnicos, os marcos regulatórios e o que precisa ser preparado nas rotas de interconexão.

Publicado em 14/10/2026Leitura técnicaZICTEC
13/10/2026MP em vigor desde a publicação
30 diasexigibilidade de obrigações específicas, não de toda a implantação
60 diasprazo para a Anatel editar ou alterar a regulamentação
Autenticação e verificação de chamadas após a MP 1.396 de 2026
Autenticação na origem e verificação na terminação são etapas diferentes da mesma cadeia de confiança.

A Medida Provisória nº 1.396/2026 reorganiza a urgência do tema. O mercado não deve interpretar 2028 como a única data relevante: a MP já está em vigor, criou obrigações próprias e determinou um novo ciclo regulatório para a Anatel.

O ponto operacional mais importante é simples: autenticar a chamada na origem não encerra o processo. A prestadora de terminação deve verificar a autenticação antes da entrega ao destinatário. É essa verificação que permite aplicar, de forma controlada e rastreável, a política de entrega, ressalva ou bloqueio.

O que a MP muda na prática

O texto distribui responsabilidades entre os participantes da chamada, prevê identificação de chamadas corporativas, cria uma base centralizada e estabelece medidas de bloqueio. Também determina que a Anatel edite ou altere a regulamentação no prazo de 60 dias.

Leitura regulatória seguraA MP não impõe um prazo universal de 30 ou 60 dias para que toda a infraestrutura esteja concluída. As etapas centrais de autenticação, verificação, identificação e base centralizada serão exigíveis a partir da regulamentação da Anatel, observados os prazos de implementação que a Agência definir.

Origem, trânsito e terminação: três responsabilidades

Origem

Autenticar

A prestadora de origem autentica as chamadas originadas em sua rede.

Trânsito

Preservar

As redes intermediárias preservam a autenticação ao longo da interconexão.

Terminação

Verificar

A prestadora de destino verifica a autenticação antes de entregar a chamada.

Cadeia de autenticação entre origem, trânsito e terminação
A confiança precisa atravessar a cadeia completa. Uma origem autenticada não dispensa a validação no destino.

Por que a verificação se torna indispensável

O art. 2º, III, atribui à terminação a verificação antes da entrega. O art. 3º, I, prevê o bloqueio de chamadas não autenticadas, observadas as hipóteses que serão ressalvadas pela Anatel.

A consequência operacional é direta: a rede de terminação precisa reconhecer o estado da autenticação, registrar o resultado e aplicar uma política coerente. Isso não é uma citação literal da MP, mas a tradução técnica das responsabilidades combinadas de verificação e bloqueio.

  • PASS: autenticação válida e coerente com a política aplicável;
  • FAIL: autenticação inválida ou não verificável;
  • SEM IDENTITY: ausência de token na sinalização recebida, que também precisa de tratamento;
  • ERRO: indisponibilidade, falha de consulta ou condição operacional que exige regra definida.

Todas as rotas recebidas precisam entrar no processo

A preparação não pode se limitar às chamadas que chegam com um token no cabeçalho SIP Identity. As rotas de interconexão recebidas devem ser inventariadas e submetidas a uma política de verificação, inclusive quando a sinalização não transportar o token.

Verificação in-band e out-of-band para chamadas recebidas
O modelo in-band usa a informação transportada com a chamada. A arquitetura out-of-band consulta a autenticação por uma via externa.

Onde entra o out-of-band/VoIP4All

A ZICTEC suporta uma arquitetura de verificação out-of-band, no modelo VoIP4All, para consultar informações de autenticação mesmo quando o token/Identity não está presente na rota recebida, conforme integração, cobertura e regras aplicáveis.

Importante“Out-of-band” e “VoIP4All” não são tecnologias prescritas nominalmente pela MP. São uma arquitetura técnica suportada pela ZICTEC para implementar a jornada de verificação em cenários nos quais a autenticação não chega in-band.

Bloqueio: obrigação prevista, aplicação ainda regulamentada

A MP prevê o bloqueio das chamadas não autenticadas, mas a comunicação responsável precisa conservar duas ressalvas:

  1. a própria MP remete à Anatel a definição de hipóteses ressalvadas;
  2. as etapas centrais dependem da regulamentação e dos prazos de implementação que a Agência estabelecer.

Portanto, não é correto afirmar que toda chamada sem autenticação deve ser bloqueada de forma universal e imediata. O correto é preparar a arquitetura, os estados de decisão, as evidências e as políticas para o cronograma que será definido.

Autenticação não é exibição automática de marca

A MP também prevê a identificação de chamadas autenticadas de pessoas jurídicas com nome empresarial e logotipo, se houver, registrados na base. Essa camada é diferente da autenticação técnica.

CamadaFunçãoO que não garante sozinha
AutenticaçãoComprovar a origem e a responsabilidade pela chamadaExibição automática de nome e logotipo em todo aparelho
VerificaçãoValidar a autenticação antes da entregaBoa reputação ou completamento garantido
Identificação / Origem VerificadaApresentar identidade empresarial e elementos de marcaImunidade a políticas antiabuso ou antispam
ReputaçãoConsiderar comportamento, volume e sinais de abusoValidação criptográfica da origem

Impactos para operadoras e empresas

Para prestadoras e operadoras

  • inventariar rotas de origem, trânsito e terminação;
  • revisar SBCs, softswitches, cabeçalhos SIP e preservação do Identity;
  • implantar o motor de verificação e políticas de decisão;
  • tratar chamadas sem token, falhas de consulta e exceções;
  • guardar evidências, métricas, logs e trilhas de auditoria;
  • acompanhar a regulamentação da Anatel e ajustar os prazos do projeto.

Para pessoas jurídicas que realizam chamadas

  • organizar CNPJ, razão social, numeração e identidade de marca;
  • confirmar quem é a prestadora responsável por cada rota;
  • evitar uso de números sem atribuição, designação ou portabilidade coerente;
  • acompanhar volumetria, chamadas curtas e indicadores de abuso;
  • não confundir autenticação com a contratação da camada de identificação de marca.

Checklist de preparação imediata

  1. Mapear todas as rotas de interconexão recebidas e originadas.
  2. Identificar onde o Identity é criado, preservado, removido ou alterado.
  3. Definir estados de verificação: válido, inválido, ausente e erro.
  4. Projetar as políticas de entrega, ressalva e bloqueio.
  5. Avaliar integração in-band e, quando necessário, out-of-band.
  6. Revisar cadastros de numeração, titulares, CNPJ, nome e logotipo.
  7. Implantar logs, relatórios, volumetria e evidências operacionais.
  8. Acompanhar a regulamentação da Anatel sem esperar a última data do cronograma.

Como a ZICTEC pode apoiar

A ZICTEC atua da análise regulatória à implantação técnica: autenticação na origem, verificação na terminação, integração in-band e out-of-band/VoIP4All, SBC e interconexão, tratamento de rotas, relatórios de volumetria e STFC Tools.

O primeiro passo é um diagnóstico da operação atual para identificar onde a cadeia já está preparada e onde ainda existem lacunas.

Fonte oficial e nota editorial

  1. Medida Provisória nº 1.396, de 9 de outubro de 2026 — Diário Oficial da União.
  2. Chamada Verificada — jornada ZICTEC para autenticação e identificação de chamadas.
Nota editorialEste artigo apresenta uma leitura técnica e operacional da MP publicada em 13 de outubro de 2026. A implementação das etapas centrais deve acompanhar a regulamentação, os prazos e as ressalvas que serão definidos pela Anatel.

Autenticar é só o começo

Prepare também a verificação na terminação, o tratamento das rotas recebidas e as evidências operacionais.

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